Jessica Pearson is the boss

8.9.15

Eu já escrevi sobre Suits aqui, recomendei a série e falei brevemente sobre do que se trata, focando nos dois personagens principais, Harvey e Mike. Não quis ampliar o post e discorrer sobre cada um dos personagens secundários, mas essa, de quem eu vou falar agora, merece um post só para ela. Por que? Ela é o feminismo personificado (ou quase isso).

Nunca falei sobre esse assunto no blog e acho que é uma boa oportunidade. Venho aprendendo cada vez mais sobre e, em decorrência, ficando mais atenta à toda forma de machismo ao redor, seja em gestos ou frases, no dia a dia ou na televisão.

Depois que Mad Max estreou no cinema, muitos comentários sobre o filme e a forma como a causa feminista foi abordada surgiram, o que foi ótimo, pois fez um assunto de extrema importância ser levado à discussão. De fato, o filme é sensacional. Lendo sobre o post que a Gigi fez sobre ele, eu acabei descobrindo algo novo: o Teste de Bechdel, que basicamente questiona os diálogos entre mulheres em uma obra de ficção, verificando se em pelo menos algum momento duas mulheres conversam sobre algum assunto além de homens. Depois disso eu fiquei mais atenta às séries e filmes que venho assistindo e é até incrível como tantos falham nesse teste.

Onde eu quero chegar? Comecei à assistir Suits e, muito embora haja aspectos conservadores que você logo nota olhando para os dois personagens centrais, brancos, atraentes e bem sucedidos, a série conta com uma personagem extremamente inserida em contextos e causas feministas.

heymylifeomg.tumblr.com
Jessica Pearson, interpretada por Gina Torres, é negra, sócia majoritária no maior escritório de advogacia de Manhattan, chefe e mentora do personagem principal e, por fim mas não menos importante, admirada e respeitada por todos à sua volta. A série mostra muito de ambição e nesse sentido, ainda, mostra que no caso da Jéssica, ela precisou ultrapassar muitos obstáculos que lhe foram colocados no caminho (e não é bobagem dizer que o caminho foi longo e tortuoso) para atingir seus objetivos. Em diversas cenas ela frisa o quão difícil, diante de uma sociedade preconceituosa, foi atingir a posição que ela atingiu, sofrendo tanto por ser negra quanto por ser mulher e, então, subestimada para altos cargos. E ainda que o foco seja voltado para Harvey, um advogado, de fato, brilhante, ele conseguiu chegar onde está muito graças à ajuda de Jessica e em nenhum momento a ultrapassou em termos de cargo e poder dentro da empresa.

Valem ser citadas outras mulheres importantes na série. Donna, secretária de Harvey, vivida por Sarah Rafferty, que não se intimida facilmente, é muito inteligente e prestativa, e quando digo prestativa, quero dizer que sem ela, Harvey fica praticamente incapacitado de realizar diversas tarefas corriqueiras no seu trabalho. Quer dizer, ainda é bem estereotipado o fato do cargo de secretariado ser exercido na maior parte por mulheres e isso é papo pra mais de metro, mas Donna é uma mulher forte que se mostra bastante leal à seus princípios e isso vale ser mencionado pois é crucial em vários momentos da série. E Rachel, interpretada por Meghan Markle, assistente que se recusou à trabalhar no escritório de advocacia de seu pai para seguir uma carreira independente e conquistar o que deseja por sua capacidade e não sua herança, por assim dizer, e acredito que independência seja tópico essencial nessa discussão sobre emponderamento feminino.

Enfim, há conversas entre duas mulheres que tratam de homens sim (de maneira sexual, digo), mas há também tantas outras tratando de outros assuntos e, como eu disse, da própria dificuldade em ser mulher na sociedade machista em termos trabalhistas. Devo reforçar que a série não é, de longe, sobre feminismo, mas há esse background, essas questões que, na maioria das vezes não abordadas diretamente, estão implícitas de maneira recorrente.
Essa cena mostra Jessica dizendo ao seu antigo chefe como ela se sentiu "enjoada" quando soube que foi contratada apenas pelas cotas e sabia como ele a enxergava. Ela o agradeceu, pois isso a encorajou a trabalhar duro para chegar onde ela chegou e provar que é muito mais do que seu gênero e raça. // via BuzzFeed (outras 18 vezes que Jessica mostrou ser bad-ass em uma visão bem humorada).
Talvez eu não ame a Jessica (ela pode ser bem arrogante as vezes) mas eu certamente amo o que ela reapresenta.

 
 
 
Gina Torres falando sobre sobre como existem poucas mulheres negras em posições de poder, principalmente sendo interpretadas na TV. // via feministcharacters.tumblr.com
E pra finalizar, vou dividir com vocês esse link de uma publicação que eu vi sendo compartilhada no Facebook esses dias e achei muito interessante sobre "feminismo branco", coisa que eu ainda sequer tinha ouvido falar e tem total a ver com o assunto desse post. Vale a pena dar uma olhadinha. :)

4 comentários:

  1. Acabei de assistir o vídeo ~ e ainda não conhecia a expressão "feminismo branco". Interessante. Eu não assisti Suits, mas achei incrível a personagem da Gina Torres tratar dessas questões e ser um exemplo de empoderamento feminino na TV. Nós sabemos que personagens como esse andam MUITO em falta!

    http://naomemandeflores.com

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    1. Sim, é como ela falou, falta mulher negra em posição de poder na TV, mas só dela e da Kerry (que faz Scandal) estarem lá já é sensacional.

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  2. não tinha visto esse vídeo antes mas já conhecia o termo feminismo branco e acho isso bem foda. mas como qualquer movimento que vai ganhando força, muita coisa precisa ser desconstruída e acho super necessário esse tipo de discussão :)

    quanto a série, também não assisti mas fiquei curiosa. é muito difícil achar filmes e séries em que mulheres tem voz e papéis de peso. ou posições de peso. mesmo que seja gradativo, é lindo ver isso.

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    1. Sim, é muito importante colocar essas coisinhas em discussão. E a serie, por mais que, como eu falei, tenha muitos aspectos conservadores, tem essa personagem maravilhosa que me chamou atenção demais desde começo justamente por isso. É muito importante ela estar lá.

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